A Francesinha

Afinal o que é a Francesinha? A Irmandade dá voz aos Especialistas:

Terça, 2011-02-01 18:13

Esta é a parte em que se costuma falar de um misterioso "emigrante na França" que ninguém conhece, do "croque-não-sei-do-quê" e de um conjunto monumental de outras tretas que caracterizam a Francesinha como se pudesse vir num livro de História do 6º ano. Mas a Francesinha é muito mais que isso...
A Francesinha é a Torre dos Clérigos da Cozinha Nacional, o monumento gastronómico da cidade do Porto, a par das Tripas (que será, vá lá, a Sé Catedral). Só que para a malta de Marrocos, basta pensar em comer intestino para lhes a volta aos próprios, logo, apostam na Francesinha para mostrar a sua virilidade e tentarem alimentar o desejo de inclusão quando estão no Norte. Claro que se nota logo quem não é o verdadeiro Tripeiro: para esses, qualquer coisa que venha na lista como "Francesinha" é sempre gigantesca (mesmo que servida num pires), com molho picantíssimo (mesmo que seja meramente água tingida com corante alimentar) e sempre óptima (mesmo que seja uma tosta mista em Panrico seco com um pouco de polpa de tomate já fria).
A Francesinha é uma torre de sabor, um aquecedor nas noites frias, um motivo para refrescar as noites de calor com Super gelada, o combustível dos combustíveis, sem aditivos. É uma desculpa para deitar fora camisas de que não gostamos. É um pretexto para uma roda de amigos. É (d)o Porto e (d)os Tripeiros.

Sábado, 2011-02-05 23:16

Habituado a conviver frequentemente com pessoas de fora do Porto e do país, vejo-me confrontado com alguma assiduidade com a questão: “…mas o que é uma Francesinha?”. A resposta é sempre igual :”…tal como outras coisas na vida não é possível explicar, é preciso experimentar!”. Não é uma iguaria “standard”, apresenta variações de local para local mas há exigências e requisitos obrigatórios que a Irmandade jamais tolerará a sua violação. Achamos que deveria existir alguma regulação para a utilização do termo Francesinha, pois infelizmente já detectamos verdadeiros atentados à “muy nobre e Invicta” Francesinha! A Francesinha é um (dos) símbolo do Porto e tem de ser protegida (existem no entanto um punhado de locais fora do grande Porto mas todas no Norte, onde se pode comer verdadeiras Francesinhas e a Irmandade irá divulgá-las a seu tempo). Pode ser apreciada a qualquer hora (das 9 da manhã ao final da madrugada já foi testada) e desde que digna do nome é sempre capaz de provocar satisfação. Tristes daqueles que cobardemente desconhecem, rejeitam, denigrem ou difamam a nossa Francesinha, mas todos sabemos que a Cultura não é para todos mas apenas para os que a pretendem e a respeitam. Se um dia pudesse escolher a minha última refeição, seria uma Francesinha acompanhada pelo seu catalisador natural – o fino (vá poderia ser um príncipe!). E qual em concreto é que escolheria, hmmm....difícil mas acho que acabaria por escolher a do.......

Domingo, 2011-02-13 10:20

Tarefa ingrata, esta de falar sobre o nosso pitéu de culto. Além de um prato de culinária de excelência invulgar, a francesinha está envolta numa bruma que esconde as suas verdadeiras origens, o que confere uma auréola extra a um prato per si capaz de babar qualquer um… muito à semelhança do que sucede com a Joana Amaral Dias.
Tentar resumir a francesinha a um amontoado de ingredientes seria ao mesmo tempo absurdo e insultuoso. A francesinha é hoje, a par do FCP, da Casa da Música ou da Associação Comercial do Porto, uma instituição da nossa região e um símbolo do nosso carácter. Consistente, picante e calórica qb, apela a um estômago forte e à fiel presença do inseparável fino (de preferência Superbock). Sobretudo, ao pedir uma francesinha, faça-o com a convicção de quem não teme o que lhe espera… à semelhança dos cães, as francesinhas sentem o medo de quem as encara.
Porventura seria mais fácil falar sobre o patético e deprimente bitoque dos lisboetas. E porquê, perguntam vocês… bem, segundo a Wikipedia o bitoque é um “prato com um bife, batatas fritas, arroz, um ovo estrelado e salada”. Como o autor deste texto imaginou a cara de parvo de quem teria perdido alguns segundos preciosos da sua vida nessa pesquisa, logo a seguir tenta prender o leitor com uma ambiguidade hitchcockiana brilhante: “Por vezes, pode também conter fiambre, entre o bife e o ovo”. E remata com uma pièce de résistance de antologia: “é uma escolha comum para aqueles que desejam uma refeição de carne não muito específica”… só com muita injustiça não terá levado para casa o Prémio-Mais-Valia-Estar-Sem-Net, de 2009!
Não é preciso muita imaginação para prognosticar o que seria da francesinha se tivesse tido a infelicidade de aparecer mais a Sul… provavelmente teria degenerado num Carpaccio Especial com Croutons, envolto em molho agridoce e acompanhada por uma flute de panaché. Felizmente, tudo acontece por alguma razão e eu gosto acreditar que ainda há alguma entidade superior que organiza algumas circunstâncias cruciais do nosso quotidiano. Quer tenha surgido pela importação das tropas napoleónicas, quer pelo upgrade do tal de croque-monsieur, a verdade é que a nossa Região foi abençoada com este pitéu de culto, e até hoje esteve à altura dessa fortuna.
Este projecto é apenas mais uma sincera homenagem… a de tentar arquitectar um roteiro mágico das melhores francesinhas do Porto, do Norte e do Mundo! Bem-vindos…

Domingo, 2011-02-13 22:49

Reza a lenda que a Francesinha foi criada por um poveiro, que regressado de França fez uma adaptação do famoso "Croque- Monsieur" ao qual lhe juntou alguns condimentos e recheio de peso para agradar as gentes fortes da cidade invicta... cheira-me que também foi para vender mais copos na dita tasca.
De qualquer forma prefiro a historia mais romântica que tamanho pitéu terá tido a sua origem na Guerra Peninsular com as tropas Napoleónicas que costumavam comer umas sandes de pão de forma cheias de queijo e todo o tipo de carnes ás quais conseguiam deitar as mãos.
De qualquer forma a Francesinha para este membro da irmandade, foi, é e sempre será um símbolo da austeridade e carácter das gentes do Porto, do seu espírito forte e resistente.
A própria Francesinha é um simbolo de resistencia tendo sobrevivido já a inumeras tentativas de massificação e "fast food ização". A Francesinha é dos cafés e tascas do Porto sem preconceitos ou complexos, sem peru ou frango e muito menos sem vegetais á mistura!

Para além de tudo isto a Francesinha é para nós, Portuenses, uma boa desculpa para nos reunirmos com bons amigos e beber uns bons finos ( Super Bock claro).

Sexta, 2011-02-18 16:49

Sendo um minhoto de gema, só comi a minha primeira francesinha na altura da faculdade do Porto. Até lá só a conhecia pela televisão. Para mim não existe melhor combinação: comer um boa francesinha, beber uns bons canecos e estar entre amigos. Foi mais um evangelizador da francesinha nas terras do sul e em terras angolanas. Sim é verdade mesmo em Angola a francesinha é um prato apreciado e orgulho-me de consegui elucidar algumas pessoas das suas características benéficas para o bom estar e para o convívio.

Sábado, 2011-02-19 21:51

Diz a lenda que este "estrondoso" prato, agora iguaria, foi inventada na década de sessenta por um emigrante francês. Este iluminado homem teve a feliz ideia de adaptar este prato à magia de um molho que é a alma da receita. Algo que qualquer um nunca teria imaginado ser possível comer até à altura. Depois do caldo verde, das tripas, da broa e do bacalhau à Gomes de Sá, nasce a única receita gastronómica original portuense do século XX. A Francesinha. O futuro a Deus pertence, mas uma coisa é certa: Cá estaremos nós a provar muitas francesinhas, e as melhores certamente no Porto.

Top Francesinhas
Bufete Fase 92.25%
Regaleira 90.81%
Mauritânia Real 90.35%
Gambamar 84.44%
Convívio 82.58%
Qualidade / Preço
Cufra Bilhares 93.11%
Hamburgo 92.75%
O Golfinho 87.65%
Bufete Fase 84.63%
Café S. Nicolau 82.60%
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Mauritânia Real 17,908
Bufete Fase 13,493
Regaleira 9,996
Tappas Caffé 8,373
Gambamar 7,330
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